quarta-feira, 8 de abril de 2015

Luz, câmera, ação! Gravando: O filme da tua vida!

The End! Aparece a frase no fim. Desaparecem as personagens e o cenário, a tela fica escura, sobem os nomes do “Casting”, o elenco e o nome das suas personagens, em ordem de importância no filme. Às vezes, tem até uns flashs com as fotos dessas personagens, uma música no fundo... Mas lá está você, inconformado, olhando para os lados, perguntando indignado para o restante da plateia junto com você: “Ei! Acabou assim?! Sem mais nem menos? Ele morre no final? Que final sem graça é esse? Sem um beijo quente? Ele nem se despediu da família? A mocinha nem pode se despedir? Gente do céu? Será que vai ter o 2 logo em seguida?”

Quem assistiu filmes como “A Chave Mestra”, por exemplo, sabe dessa indignação. Você fica inconformado com o final, procura o filme sequência da história interminada, mas não acha! Não tem! Nem pro filme “A Chave Mestra”, nem para o filme da tua vida, diga-se de passagem.
É exatamente isso. De repente o filme acaba e não teve o fim que você esperava, que você sonhou. Pra falar a verdade, duvido que alguém tenha idealizado e rascunhado o fim do próprio filme da vida.
Mas quantas vezes você não soube de gente que “se foi” no caminho de uma viagem de lua-de-mel? Ou de férias? E aquele que saiu pra trabalhar, super confiante com o futuro, pois iria a uma reunião decisiva pra sua carreira e BAM! Acontece o inesperado! E aquele que acabou de formar em Medicina? Ou aquela que acabou de fazer a primeira prova do vestido de noiva e já até mandou os convites, gente?! Mas de repente, acontece o inesperado de novo e o filme se acaba, sem o último beijo, sem os cumprimentos dos convidados, sem o álbum de fotos, sem jogar o buquê...

Uma hora o filme termina. E nem sempre terá o final que você escolheria. Você nunca escolhe. Nem sempre você viverá no teu filme uma cena inesquecível no navio gritando “I am the king of the world” como no Titanic (detalhe, ele morreu, nenhuma fã aceitou isso!), tampouco as cenas mirabolantes e inacreditáveis dos Velozes e Furiosos (faz-me rir!!),nem terá dançado um tango tão elegantemente como Al Pacino, em Perfume de Mulher, provavelmente não teremos tempo de dizer “Hasta la vista babe”, como o Arnold Shwazenegher, mas pode ser que, com um pouquinho de esforço, ainda dê tempo (espero eu) pra dar um toque a mais de ação, aventura, romance e comédia nesse filme.

Porque de repente, tudo escurece, acabam-se os créditos e você fica lá tentando convencer o Roteirista de que o fim tem que ser diferente: “Peraí, gente, sem nenhum beijo caliente, no final?”, “Eu nem casei, pessoal!”, “Não dá pra acrescentar aí uma aventurina?”, “Eu nem fui pra Dubai ainda, minha gente!”, “Termina esse filme ano que vem, não dá não?”

Se bem que, pensando bem, se voltar um pouco a fita, pode ser que o teu filme não seja assim tão xoxo, tão água com açúcar, como diriam os amantes de filme. Pode ser que revendo o filme, tentará reviver aquelas cenas onde você estava embrulhado de coberta, comendo pipoca com seus filhos ou seu marido assistindo um filme em tempo de chuva. Ou aquele dia em que vocês saíram numa pracinha à noite pra ver o movimento e se divertiu à beça. Ou aquele dia, jogando conversa fora com amigos, rindo de bobeira, depois de sair da igreja ou da escola.

E o que dizer do dia em que viu seu bebê sorrindo pela primeira vez? Os chatos disseram que não, que era um movimento involuntário do bebê e que ele ainda não sorria e bla bla bla, mas você tinha certeza de que ele tinha sorrido sim! E tirou mil fotos porque a partir daquele momento ficou de plantão com a câmera...

Ahhh, tem cenas que até podem ser regravadas, mas cenas como essas não! Não dá pra viver de novo a época que vemos nossos filhos juntando letrinhas, formando sílabas e palavras, juntando palavras e formando frases... Não dá pra reviver aquele momento em que seu filho se perde na loja de departamento e você sai louca, correndo gritando “Fiiiiiiiilhoooooo, apareeeeeece!!!”, e ele, com a maior cara deslavada sai de debaixo de uma arara de roupas pra te dar um susto, morrendo de rir! Aff! Você não quer reviver isso mesmo, né? Mas não deixa de ser uma cena de um filme de suspense! Pra o filho, foi bem é de comédia.

Ah, e a aventura de sair correndo pra parir, gente! Teu, marido, seus pais, seus sogros, desesperados, atropelando um ao outro no meio da casa, feito baratas tontas, sem saber pra onde ir, pegando o trânsito em direção à maternidade. Isso dá um belo roteiro de aventura (talvez comédia). Pra mim foi um drama no início, mas hoje se tornou uma história de amor, de comédia, de thriller, de cartoon, tudo isso junto!

Nem todo filme é uma mega produção de milhões de dólares, mas qualquer filme pode ser digno de um Oscar quando se tem atores e atrizes tops de linha como a gente! Nem sempre as produções de endinheirados terminam em filmes interessantes, pois o que conta são os protagonistas, talvez os coadjuvantes e o roteiro interessante. E para o roteiro desse filme, é você mesmo o responsável, o protagonista.

Pra alguns, a vida não é um filme, mas uma série. Dividida em temporadas. Umas boas, umas nem tão boas assim... Mas um dia a última temporada terá que ser escrita, pois as temporadas se acabam, as personagens vão saindo da saga e a história vai se perdendo...
Se a minha fosse uma série, gostaria que fosse como a de “Friends”, divertidíssima, nenhum dos protagonistas saíram pelo caminho e com um final que eternizou a série...
Se série ou filme, a verdade é que um dia as cenas se acabam, e viver como se fosse o último capítulo talvez seja o segredo pra se imortalizar no coração dos que ficam.

Seja lá o que for minha vida, se uma série, tomara que eu esteja ainda na primeira temporada de uma série de muitas... Se for um filme, que seja uma saga impressionante como o “Senhor dos Anéis”, longa como Harry Potter, divertido como “Madagascar”, inesquecível como “Uma linda Mulher” e único como o filme “Kely”... rs...
“The end, not yet”...

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